Hoje senti
vontade e sentar. Olhar tudo em volta, sentir inspiração e sentar. Deixar tudo
pra lá, ouvir uma boa música. Senti vontade de olhar a todos e não me importar
com absolutamente nada. Deixar as vozes passarem, soarem, cessarem. Hoje eu
senti vontade de paz e quando pensei em paz, senti arrepio. Hoje senti vontade
de sorriso calmo, sorri. Hoje vi gente falar, e senti vontade de escrever. Hoje
tudo fez sentido e nada importou. Só inspirar e expirar. Respirar. Hoje tive
mil e uma lembranças e todas me fizeram bem. TODAS. Lembrei com detalhes,
lembrança passageira, lembrei de sorrisos e lágrimas. Hoje eu não vou falar, só
vou olhar. Mas ainda não vou sentar.
Porque hoje sou leve, suave, sou nave, sou
ave. Voei. por: Ms. S
Mas afinal de contas o que é essa droga que chamamos de vida?
É uma mera passagem, curta, inevitável, e incrível. Principalmente incrível. Infinita diante de algumas coisas, um instante diante da eternidade. Uma passagem. Nada além disso.
E sabe o que é mais doloroso? Ela só acontece uma vez. Assim como os momentos dos quais ela é recheada. Por um instante você se sente no topo do mundo, você voa, você corre, você vive. E de repente você está só. Acompanhado, porém só. Em uma calçada, uma esquina da vida talvez. Com as roupas todas sujas, uma camisa arremangada até o bíceps, pesada pelo suor repousando o tecido úmido no seu peito.
Com o pescoço levemente voltado à direita, e por mais que isso pareça ridículo, você vê a vida passando por você. A vida é linda, sensual... É cheia de certezas e inseguranças. É incrível. A vida traja roupas leves de cores claras, estampadas com aquela moda primavera-verão que nós homens nunca seremos capazes de entender, mas sempre amaremos vê-la sobre o corpo de uma mulher. A vida caminha com passos leves e bem compassados, fortes apesar da delicadeza.
Com a postura de uma dama, a tranquilidade de uma gata, a nobreza de uma leoa. E neste momento seus olhos travam e você tem vontade de correr, morrer, gritar, mas só consegue ficar parado, hipnotizado, enquanto a sua vida inteira passa por você. Em uma calçada ou esquina da vida, ela olha pra você, e passa.
É nesse momento que você descobre o quanto a coragem é importante, o quanto você gostaria de ter coragem de tomar uma atitude, de abraçar a vida e vivê-la em sua totalidade. Porque, amigo, você recebeu a graça da existência. Mas uma vida, isso é você quem decide se vai ter ou não.
Se você cair, me deito. Se quiser partir, te deixo. Se você mentir, eu sinto. Se você for tela, eu pinto. Se você doer, me doo. Se você pedir, me entrego. Se você chegar, te enxergo. Se for par de asas, voo. Se você chover, me encharco. Se você se der, eu pego. Se você quiser, não nego. Se não desejar, eu parto. Se você beber, embriago. Se você fumar, te trago. Se você somar, multiplico. Se for dividir, ramifico. Se você for terra, adubo. Se você disser, eu mudo. Se você chorar, conforto. Se deixar pra lá, me importo. Se for meio-dia, esquento. Se for meia-noite, alento. Se for fim de tarde, me ponho. Se você dormir, te sonho. Se quiser ligar, atendo. Se for lamentar, entendo. Se você sorrir, me abro. Se for me prender, me rendo. Se adoecer, me interno. Se for apagar, te acendo. Se modificar, aceito. Se me convidar, me deito. Se me acompanhar, respeito. Se você for mar, mergulho. Se me informar, me formo. Se não mais quiser, conformo. Se você vier, eu quero. Se for demorar, espero.
“Se você vier, pro que der e vier, comigo, eu te prometo o sol, se hoje o sol sair, ou a chuva…”
Nada pode ser mais importante que a lágrima – o estado líquido da alma -, para lavar o teu rosto, já cansado de tanto penar. Chore para compreender e, também, para desabafar. Chore para desentristecer e para desanuviar. Chore para esquecer e, não importe-se em chorar novamente, quando – certamente – lembrar. Encoste a tua cabecinha no ombro de alguém e chore, ou chore só – se assim preferir, mas, jamais envergonhe-se das tuas lágrimas, tão preciosas e pessoais, tão somente tuas – representações sentimentais. Chore até chover tanto nas tuas encostas, que as tuas lágrimas soterrem em ti – até nunca mais serem encontradas – todas as coisas que tanto adoecem-te e, por serem vitais, não podem simplesmente serem arrancadas. Chore com consciência de que as tristezas não desaparecem no ar, mas – independentemente – não podem impedir-te de continuar. Chore durante o dia inteiro – se achar necessário – e, se por acaso as tuas lágrimas secarem, não preocupe-se, é que a tua alma está recuperando-se – ainda que o teu corpo continue a soluçar.
Perdoe.
Perdoe para elevar e para – enfim – dormir. Perdoe para descansar e para – então – sorrir. Perdoe-se todos os dias, por não viver como se fossem os teus últimos dias, mas prometa-se – também diariamente – a jamais deixar de olhar para a frente. Perdoe aquele que te fez mal, com o mesmo amor que perdoa-se, para que um dia o teu perdão seja capaz de amar – tanto quanto você é. Perdoe de coração para coração, e não de boca para a boca. Perdoe e ofereça uma mão, escondendo sempre a outra. Sempre que alguém perdoa, uma esperança é semeada – na horta do teu próprio coração. Sempre que um coração é perdoado, teu adubo é fortificado e, faz brotar em si, a planta de uma nova construção. Seja capaz de perdoar e, conseguirá, dormir – novamente – como uma criança. Aprenda a perdoar e, enfim terá, a chave da tua própria esperança.
Não prive-se.
Não engaiole o teu coração no teu peito – muito menos no peito de outra pessoa -, passarinho que é, o coração é feito para ser livre e voar – respeitando sempre o tamanho das tuas próprias asas. Não empedre o teu coração, pois estátuas não podem sofrer, mas também não são capazes de viver e, tampouco de amar. Esteja ciente de que o passado – por pior que tenha sido – não pode manter-se eternamente presente e, você, é diretamente responsável por tudo que virá pela frente. Viva, viva com vontade e, procure irradiar as tuas mais bonitas energias, para que assim, outras bonitas energias cruzem os teus caminhos. Vá a novos lugares e conheça novos – e arrebatadores – olhares. Precisamos tanto de companhia, quanto de solidão, em doses precisas, que só podem ser receitadas por nós – para uma boa saúde do nosso próprio coração.
Por último (e não menos importante), ame.
Ame para estancar e para reconstituir. Ame para levantar e ame para prosseguir. Ame para proteger e para libertar, mas, jamais, deixe a falta impedir-te de amar. Encante-se pelas flores dos teus jardins e, não passe nem um dia sequer, sem semear por aí, todo o amor que brota em ti. Ame-se por dentro e por fora, não espere por uma mudança, ame-se agora. Seja capaz de amar as tuas imperfeições e, conseguirá, entender – também – as que não são tuas. Seja capaz de amar as tuas limitações e, alcançará, a luz natural das tuas próprias ruas. Ame-se no espelho e, também, sem observar-se. Ame-se hoje, como se amanhã, não fosse mais encontrar-se. Ame – simplesmente – por saber, que somos capazes de amar e, entenda que para vencer – muitas vezes – precisamos recuar. Ame-se – enfim – por ser, toda a verdade que pode haver, nas tuas infinitas possibilidades de amar.